Encontro com anciãos e jovens Endorois do projeto «Revitalize the Roots», da Jamii Asilia Centre

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Rose Ngeny, jovem da comunidade Endorois que participa no programa «Revitalize the Roots» e professora do ensino básico

Quando visitámos a Escola Primária de Keon, em Baringo, no Quénia, conhecemos alguns dos anciãos e jovens Endorois que participaram no projeto «Revitalize the Roots: Bikaptorois». Esta iniciativa da Jamii Asilia Centre está a restabelecer os laços entre gerações Endorois através da preservação e transmissão do conhecimento tradicional.

Neste vídeo, falamos com anciãos e jovens Endorois que passaram os últimos anos reunidos para reconstruir laços intergeracionais fortes, mas também ouvimos o testemunho de professores e membros da comunidade que nos falam sobre a integração do projeto nas salas de aula e na vida familiar dos Endorois.

Memória e tradição, mas também governação e respeito. Este projeto tem sido muito mais do que a criação de um arquivo.

Divulgamos este vídeo numa semana marcada por uma enorme perda para a comunidade Endorois. Mzee Richard Arap Yegon foi um defensor incansável do território e da dignidade dos Endorois, guardião da cultura do seu povo e uma das forças motrizes no processo dos Endorois relativo à expulsão dos seus territótios decretada pelo governo. Partilhamos a dor da sua família e de toda a nação Endorois. O trabalho apresentado neste vídeo é, em muitos sentidos, uma resposta a tudo aquilo pelo qual Mzee Yegon lutou.

Estão disponíveis legendas em português: selecione-as diretamente nas definições do vídeo no YouTube.

TRANSCRIÇÃO

Para o povo Endorois, a perda de território ancestral em torno do Lago Bogoria — devido ao decreto governamental de 1973 que levou à criação uma reserva nacional de caça — marcou o início de uma lenta erosão dos sistemas de conhecimento que mantiveram a comunidade unida durante séculos.

Seguiram-se pressões várias. Escolas no modelo ocidental rotularam as práticas tradicionais como retrógradas. Os conselhos de anciãos perderam autoridade. Além disso, a subida do nível das águas do lago está atualmente a submergir partes do território dos Endorois, incluindo locais sagrados e marcos ecológicos que eram âncoras da vida em comunidade.

A Jamii Asilia Centre, uma organização Endorois, respondeu com o projeto «Revitalize the Roots: Bikaptorois», uma parceria com a Global Wisdom Collective. Para a Azimuth World Foundation, é um orgulho apoiar este projeto desde 2022.

Ao juntar anciãos e jovens para conversas de grande alcance, e ao documentar, preservar e transmitir cuidadosamente este património, o projeto «Revitalize the Roots» tornou-se verdadeiramente um motor da coesão social. Para os Endorois, o conhecimento e a cultura não são meros arquivos. São a base da governação, que inclui os protocolos, as relações e o conhecimento das suas terras, através dos quais a comunidade se organiza.

Revitalizar esse conhecimento é, por isso, restaurar as condições que permitem a autodeterminação.

Visitámos a aldeia de Keon, em Baringo, para conhecer alguns dos anciãos e jovens que tornaram o «Revitalize the Roots» tão especial.

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Ancião da comunidade Endorois num encontro na Escola Primária de Keon

ANCIÃO DA COMUNIDADE ENDOROIS

Aceitei porque queria que as crianças aprendessem a nossa história. O conhecimento estava a perder-se, especialmente os tabus. As crianças começaram a menosprezar os costumes dos mais velhos, estavam focadas na educação de tipo ocidental. Quando os jovens do projeto começaram a fazer-nos perguntas, também começámos a dar respostas sobre como as coisas costumavam ser.

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Rose Ngeny num encontro na Escola Primária de Keon

ROSE NGENY

Chamo-me Rose Ngeny. Sou professora. Formada. Dou aulas na Escola Primária de Mochongoi.

Participei neste projeto, indo até à comunidade, falando com os mais velhos e aprendendo com eles. E, através disso, aprendi imenso. Fez-me recordar muito da minha cultura, do meu povo, da minha identidade, da minha origem indígena e de tudo o que diz respeito à nossa comunidade.

Os meus alunos vão conseguir expressar os desafios que atravessam as suas comunidades. Vão conseguir valorizar a sua cultura, mesmo na escola. Para eles, aprender sobre a sua cultura ajuda-os a verem-se como parte da comunidade.

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Rodgers Kibet num encontro na Escola Primária de Keon

RODGERS KIBET

Chamo-me Rodgers Kibet. Sou desta região, mas do extremo oposto, que fica do outro lado, numa zona chamada Kimariot. Faço parte do programa da Jamii Asilia. Sou jornalista comunitário e também jornalista de profissão.

A primeira vez que fui gravar com o meu ancião, ele recebeu-me muito bem. Disse-me: «É importante que tenhas vindo. Há algumas coisas que eu tinha decidido não contar a ninguém, por causa da cultura ocidental e das escolas. Por isso, agora que vieste, vou contar-te tudo.» Mostrou-se, portanto, muito aberto. Contou-me tudo sobre os Endorois e ficou feliz por partilhar tudo comigo.

Agora que este projeto surgiu, está a ir às raízes. Está a chegar a todos os que são Endorois. Aquelas pessoas que se tinham esquecido da sua cultura estão agora a reavivar esse conhecimento, que emerge de forma muito poderosa. A cultura Endorois está a regressar.

O que os anciãos Endorois partilharam com os jovens foi um sistema vivo, não apenas um relato do passado. Partilharam protocolos de utilização da terra, locais sagrados, regras que regem as relações e os conflitos, indicadores ecológicos de seca e precipitação, e as estruturas sociais através das quais as comunidades se costumavam reger e cuidar do meio ambiente.

Ao restabelecerem ligações com este conhecimento, as famílias estão a restabelecer as suas próprias ligações internas. Laços fortes entre gerações são reconstruídos, fundamentados no respeito e no cuidado mútuo.

Nas fases posteriores do projeto, o conhecimento reunido pelo grupo de jovens começou a ser levado até às escolas locais. Na Escola Primária de Keon, está agora a ser criado um clube do património, que traz o conhecimento cultural Endorois diretamente para a sala de aula.

Screenshot

Alfred Kaptai, professor de educação pré-escolar em Keon

ALFRED KAPTAI

Chamo-me Alfred Kaptai. Sou Endorois. Sou professor de educação pré-escolar em Keon.

Temos um clube de património nesta escola. Estou muito feliz por este projeto de atividades culturais ter chegado aqui à escola.

Este projeto vai exercitar a memória dos alunos. É extremamente importante que estes alunos aprendam a cultura Endorois. Os alunos não vão esquecer a cultura da sua comunidade de origem, porque, à medida que aprendem e avançam nos seus estudos para níveis mais avançados, não esquecem o que aprenderam na infância.

Também conversámos com Harrison, cuja mãe foi uma das anciãs que participou no projeto «Revitalize the Roots». Perguntámos-lhe como é que o projeto tinha mudado a sua perceção sobre o que a sua mãe sabia e o que Harrison nunca tinha pensado em perguntar.

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Harrison Kurkatsarem com a sua mãe, uma das anciãs que participou no programa «Revitalize the Roots»

HARRISON KURKATSAREM

A minha mãe contou a história sobre como era a vida dos Endorois no passado. As histórias que nos contou são maravilhosas. A forma como agiam e como viviam as suas vidas naquela época.

Eu não sabia disto, e sou eu quem mais cuida dela. Mas nem sequer tinha feito perguntas desse tipo. Fiquei surpreendido com a forma como as pessoas se vestiam ou como praticavam as suas tradições. Até mesmo com as histórias sobre aspetos desta região.

Estávamos prestes a esquecer as nossas tradições. E assim, os anciãos puderam lembraram-nos delas, para as retomarmos.

O que o projeto «Revitalize the Roots» faz vai muito além de uma tentativa de documentar ou arquivar. Está a criar as condições que permitem que haja memória. Não de forma nostálgica. Como alicerce da governação, da identidade e da vida comunitária.

É um orgulho para a Azimuth World Foundation apoiar a Jamii Asilia Centre neste trabalho e estar ao lado da comunidade Endorois, à medida que o seu conhecimento é transmitido nos seus próprios termos.

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Encontro com anciãos e jovens Endorois do projeto «Revitalize the Roots», da Jamii Asilia Centre

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Rose Ngeny, jovem da comunidade Endorois que participa no programa «Revitalize the Roots» e professora do ensino básico

Quando visitámos a Escola Primária de Keon, em Baringo, no Quénia, conhecemos alguns dos anciãos e jovens Endorois que participaram no projeto «Revitalize the Roots: Bikaptorois». Esta iniciativa da Jamii Asilia Centre está a restabelecer os laços entre gerações Endorois através da preservação e transmissão do conhecimento tradicional.

Neste vídeo, falamos com anciãos e jovens Endorois que passaram os últimos anos reunidos para reconstruir laços intergeracionais fortes, mas também ouvimos o testemunho de professores e membros da comunidade que nos falam sobre a integração do projeto nas salas de aula e na vida familiar dos Endorois.

Memória e tradição, mas também governação e respeito. Este projeto tem sido muito mais do que a criação de um arquivo.

Divulgamos este vídeo numa semana marcada por uma enorme perda para a comunidade Endorois. Mzee Richard Arap Yegon foi um defensor incansável do território e da dignidade dos Endorois, guardião da cultura do seu povo e uma das forças motrizes no processo dos Endorois relativo à expulsão dos seus territótios decretada pelo governo. Partilhamos a dor da sua família e de toda a nação Endorois. O trabalho apresentado neste vídeo é, em muitos sentidos, uma resposta a tudo aquilo pelo qual Mzee Yegon lutou.

Estão disponíveis legendas em português: selecione-as diretamente nas definições do vídeo no YouTube.

TRANSCRIÇÃO

Para o povo Endorois, a perda de território ancestral em torno do Lago Bogoria — devido ao decreto governamental de 1973 que levou à criação uma reserva nacional de caça — marcou o início de uma lenta erosão dos sistemas de conhecimento que mantiveram a comunidade unida durante séculos.

Seguiram-se pressões várias. Escolas no modelo ocidental rotularam as práticas tradicionais como retrógradas. Os conselhos de anciãos perderam autoridade. Além disso, a subida do nível das águas do lago está atualmente a submergir partes do território dos Endorois, incluindo locais sagrados e marcos ecológicos que eram âncoras da vida em comunidade.

A Jamii Asilia Centre, uma organização Endorois, respondeu com o projeto «Revitalize the Roots: Bikaptorois», uma parceria com a Global Wisdom Collective. Para a Azimuth World Foundation, é um orgulho apoiar este projeto desde 2022.

Ao juntar anciãos e jovens para conversas de grande alcance, e ao documentar, preservar e transmitir cuidadosamente este património, o projeto «Revitalize the Roots» tornou-se verdadeiramente um motor da coesão social. Para os Endorois, o conhecimento e a cultura não são meros arquivos. São a base da governação, que inclui os protocolos, as relações e o conhecimento das suas terras, através dos quais a comunidade se organiza.

Revitalizar esse conhecimento é, por isso, restaurar as condições que permitem a autodeterminação.

Visitámos a aldeia de Keon, em Baringo, para conhecer alguns dos anciãos e jovens que tornaram o «Revitalize the Roots» tão especial.

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Ancião da comunidade Endorois num encontro na Escola Primária de Keon

ANCIÃO DA COMUNIDADE ENDOROIS

Aceitei porque queria que as crianças aprendessem a nossa história. O conhecimento estava a perder-se, especialmente os tabus. As crianças começaram a menosprezar os costumes dos mais velhos, estavam focadas na educação de tipo ocidental. Quando os jovens do projeto começaram a fazer-nos perguntas, também começámos a dar respostas sobre como as coisas costumavam ser.

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Rose Ngeny num encontro na Escola Primária de Keon

ROSE NGENY

Chamo-me Rose Ngeny. Sou professora. Formada. Dou aulas na Escola Primária de Mochongoi.

Participei neste projeto, indo até à comunidade, falando com os mais velhos e aprendendo com eles. E, através disso, aprendi imenso. Fez-me recordar muito da minha cultura, do meu povo, da minha identidade, da minha origem indígena e de tudo o que diz respeito à nossa comunidade.

Os meus alunos vão conseguir expressar os desafios que atravessam as suas comunidades. Vão conseguir valorizar a sua cultura, mesmo na escola. Para eles, aprender sobre a sua cultura ajuda-os a verem-se como parte da comunidade.

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Rodgers Kibet num encontro na Escola Primária de Keon

RODGERS KIBET

Chamo-me Rodgers Kibet. Sou desta região, mas do extremo oposto, que fica do outro lado, numa zona chamada Kimariot. Faço parte do programa da Jamii Asilia. Sou jornalista comunitário e também jornalista de profissão.

A primeira vez que fui gravar com o meu ancião, ele recebeu-me muito bem. Disse-me: «É importante que tenhas vindo. Há algumas coisas que eu tinha decidido não contar a ninguém, por causa da cultura ocidental e das escolas. Por isso, agora que vieste, vou contar-te tudo.» Mostrou-se, portanto, muito aberto. Contou-me tudo sobre os Endorois e ficou feliz por partilhar tudo comigo.

Agora que este projeto surgiu, está a ir às raízes. Está a chegar a todos os que são Endorois. Aquelas pessoas que se tinham esquecido da sua cultura estão agora a reavivar esse conhecimento, que emerge de forma muito poderosa. A cultura Endorois está a regressar.

O que os anciãos Endorois partilharam com os jovens foi um sistema vivo, não apenas um relato do passado. Partilharam protocolos de utilização da terra, locais sagrados, regras que regem as relações e os conflitos, indicadores ecológicos de seca e precipitação, e as estruturas sociais através das quais as comunidades se costumavam reger e cuidar do meio ambiente.

Ao restabelecerem ligações com este conhecimento, as famílias estão a restabelecer as suas próprias ligações internas. Laços fortes entre gerações são reconstruídos, fundamentados no respeito e no cuidado mútuo.

Nas fases posteriores do projeto, o conhecimento reunido pelo grupo de jovens começou a ser levado até às escolas locais. Na Escola Primária de Keon, está agora a ser criado um clube do património, que traz o conhecimento cultural Endorois diretamente para a sala de aula.

Screenshot

Alfred Kaptai, professor de educação pré-escolar em Keon

ALFRED KAPTAI

Chamo-me Alfred Kaptai. Sou Endorois. Sou professor de educação pré-escolar em Keon.

Temos um clube de património nesta escola. Estou muito feliz por este projeto de atividades culturais ter chegado aqui à escola.

Este projeto vai exercitar a memória dos alunos. É extremamente importante que estes alunos aprendam a cultura Endorois. Os alunos não vão esquecer a cultura da sua comunidade de origem, porque, à medida que aprendem e avançam nos seus estudos para níveis mais avançados, não esquecem o que aprenderam na infância.

Também conversámos com Harrison, cuja mãe foi uma das anciãs que participou no projeto «Revitalize the Roots». Perguntámos-lhe como é que o projeto tinha mudado a sua perceção sobre o que a sua mãe sabia e o que Harrison nunca tinha pensado em perguntar.

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Harrison Kurkatsarem com a sua mãe, uma das anciãs que participou no programa «Revitalize the Roots»

HARRISON KURKATSAREM

A minha mãe contou a história sobre como era a vida dos Endorois no passado. As histórias que nos contou são maravilhosas. A forma como agiam e como viviam as suas vidas naquela época.

Eu não sabia disto, e sou eu quem mais cuida dela. Mas nem sequer tinha feito perguntas desse tipo. Fiquei surpreendido com a forma como as pessoas se vestiam ou como praticavam as suas tradições. Até mesmo com as histórias sobre aspetos desta região.

Estávamos prestes a esquecer as nossas tradições. E assim, os anciãos puderam lembraram-nos delas, para as retomarmos.

O que o projeto «Revitalize the Roots» faz vai muito além de uma tentativa de documentar ou arquivar. Está a criar as condições que permitem que haja memória. Não de forma nostálgica. Como alicerce da governação, da identidade e da vida comunitária.

É um orgulho para a Azimuth World Foundation apoiar a Jamii Asilia Centre neste trabalho e estar ao lado da comunidade Endorois, à medida que o seu conhecimento é transmitido nos seus próprios termos.

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