{"id":4850,"date":"2023-10-09T12:15:21","date_gmt":"2023-10-09T12:15:21","guid":{"rendered":"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/sem-categoria\/connecting-the-dots-with-aby-sene-harper\/"},"modified":"2025-09-04T16:34:05","modified_gmt":"2025-09-04T16:34:05","slug":"connecting-the-dots-with-aby-sene-harper","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/pt-pt\/historias\/ambiente-territorios-pt-pt-5\/connecting-the-dots-with-aby-sene-harper\/","title":{"rendered":"Connecting the Dots com Aby S\u00e8ne-Harper"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"lazyload  size-full wp-image-738\" src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001.jpeg\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001.jpeg\" alt=\"CtD_AbySene_PostCover.001.jpeg\" width=\"1080\" height=\"503\" srcset=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271080%27%20height%3D%27503%27%20viewBox%3D%270%200%201080%20503%27%3E%3Crect%20width%3D%271080%27%20height%3D%27503%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-srcset=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001-300x140.jpeg 300w, https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001-768x358.jpeg 768w, https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001-1024x477.jpeg 1024w, https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_PostCover.001.jpeg 1080w\" data-sizes=\"auto\" data-orig-sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"heading\">\n<h2>Uma conversa reveladora sobre a complexa realidade da conserva\u00e7\u00e3o em \u00c1frica, o movimento para a descolonizar, e o papel essencial que a autodetermina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena deve desempenhar na protec\u00e7\u00e3o da natureza.<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p>Num mundo em r\u00e1pida mudan\u00e7a, a prote\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 de uma urg\u00eancia ineg\u00e1vel. No entanto, h\u00e1 uma verdade inc\u00f3moda com a qual nos devemos confrontar. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a crise da biodiversidade, em grande parte causadas pelo estilo de vida e pelos padr\u00f5es de consumo do Ocidente, afectam desproporcionalmente comunidades em \u00c1frica e em todo o Sul global.E n\u00e3o \u00e9 apenas este o problema. No Ocidente, imaginamos frequentemente a conserva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de imagens romantizadas de paisagens naturais imaculadas, habitadas por megafauna carism\u00e1tica,\u00a0levando a que as organiza\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o recebam generosos apoios financeiros.<\/p>\n<p>As comunidades locais s\u00e3o muitas vezes deslocadas por estas organiza\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, que ao criarem reservas ou parques naturais de vida selvagem, expulsam estes &#8220;refugiados da conserva\u00e7\u00e3o&#8221; das suas terras ancestrais. Ironicamente, foram estas mesmas comunidades que conservaram esses territ\u00f3rios atrav\u00e9s dos seus estilos de vida e dos conhecimentos ancestrais da terra e dos ecossistemas.\u00a0A realidade da conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente intricada, e est\u00e1 enredada de forma profunda na hist\u00f3ria do colonialismo e do mercado capitalista global. As suas implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e o seu impacto nas popula\u00e7\u00f5es locais n\u00e3o devem ser subestimados. Embora \u00e0 primeira vista o conceito de \u00e1reas protegidas pare\u00e7a simples e universal, oculta uma realidade complexa e at\u00e9, por vezes, violenta e corrupta. Para desmontar a poderosa m\u00e1quina mitol\u00f3gica em torno da conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio um olhar franco e sem hesita\u00e7\u00f5es sobre o seu funcionamento interno.<\/p>\n<p>Para nos guiar nesta viagem atrav\u00e9s dos caminhos que podem levar \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o, temos connosco a Dra. Abby S\u00e8ne, membro distinto do corpo docente de Gest\u00e3o de Parques e \u00c1reas de Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade de Clemson, na Carolina do Sul.\u00a0A sua inovadora linha de investiga\u00e7\u00e3o explora as intersec\u00e7\u00f5es entre a governa\u00e7\u00e3o de parques e \u00e1reas protegidas, os meios de subsist\u00eancia, o turismo baseado na natureza e a rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a e natureza.\u00a0Nos seus <a href=\"https:\/\/republic.com.ng\/october-november-2022\/conservation-and-imperialist-expansion-in-africa\/\">v\u00e1rios<\/a> <a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2022\/07\/01\/western-nonprofits-african-rights-land\/\">artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/africasacountry.com\/2022\/06\/the-propaganda-of-biodiversity-conservation\">publicados<\/a> sobre as estruturas coloniais de poder presentes na conserva\u00e7\u00e3o, Aby S\u00e8ne tem vindo a debru\u00e7ar-se sobre quest\u00f5es essenciais, que exigem a nossa aten\u00e7\u00e3o e ag\u00eancia. Estamos entusiasmados para trazer at\u00e9 aos nossos ouvintes esta explora\u00e7\u00e3o do seu trabalho extraordin\u00e1rio, e esperamos que se sintam inspirados a embarcar tamb\u00e9m na transformadora viagem que \u00e9 a descoloniza\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">Veja a vers\u00e3o em v\u00eddeo em baixo (legendas em portugu\u00eas dispon\u00edveis), ou fa\u00e7a scroll para ouvir a vers\u00e3o em <a class=\"\" title=\"\" href=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/stories\/connecting-the-dots-with-aby-sene-harper\/#PODCAST\">podcast<\/a> (em ingl\u00eas) ou para ler a vers\u00e3o <a title=\"\" href=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/stories\/connecting-the-dots-with-aby-sene-harper\/#TRANSCRIPTPT\">escrita<\/a> (em portugu\u00eas).<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"youtube\">\n<div class=\"youtube-embed video-embed-wrapper is-responsive\"><div class=\"video-container\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SBHQZfSKQ58?feature=oembed\" width=\"100%\" height=\"407\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"rule\">\n<hr \/>\n<\/div>\n<div id=\"PODCAST\" class=\"ebd-block has-nested\" data-type=\"tabs\">\n<h3><a role=\"tab\" href=\"#firsttab036020282935762116\" data-bp-toggle=\"tab\">CONNECTING THE DOTS &#8211; PODCAST<\/a><\/h3>\n<div class=\"tab-content\" data-tabs-content=\"\">\n<div id=\"firsttab036020282935762116\" class=\"tab-pane active\">\n<div class=\"ebd-block is-nested \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">N\u00e3o vive sem os seus podcasts?<\/strong> Para n\u00e3o perder um epis\u00f3dio, subscreva o canal da Azimuth na Apple Podcasts ou no Spotify, <a title=\"\" href=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/insights.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block is-nested \" data-type=\"html\"><iframe src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4zQxVmSj9YMXFeWGmLfxdf\" width=\"100%\" height=\"232\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"ebd-block is-nested \" data-type=\"html\"><iframe style=\"width: 100%; max-width: 660px; overflow: hidden; border-radius: 10px;\" src=\"https:\/\/embed.podcasts.apple.com\/pt\/podcast\/connecting-the-dots-with-aby-s%C3%A8ne-harper\/id1607307337?i=1000631987846\" height=\"175\" frameborder=\"0\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-same-origin allow-scripts allow-storage-access-by-user-activation allow-top-navigation-by-user-activation\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"TRANSCRIPTPT\" class=\"ebd-block \" data-type=\"rule\">\n<hr \/>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"heading\">\n<h3><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">\u00a0VERS\u00c3O ESCRITA<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES (PRESIDENTE, AZIMUTH WORLD FOUNDATION)<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Poderia partilhar connosco o seu percurso na \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o, e o que a levou a questionar as ideias dominantes em torno da conserva\u00e7\u00e3o em \u00c1frica?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O meu percurso at\u00e9 ao trabalho que estou a desenvolver agora, na \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, tanto em \u00c1frica como nos EUA &#8211; nos EUA, concentrando-me especificamente nas comunidades afro-americanas -, come\u00e7ou com as viagens que fiz na minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia pela \u00c1frica Ocidental. Viagens de carro em fam\u00edlia com o meu pai, as minhas irm\u00e3s, os meus pais. Sou natural do Senegal, nasci no Senegal, mas tamb\u00e9m vivemos no N\u00edger, no Mali, no Burkina Faso e no Gana. Por isso, a maior parte das minhas viagens concentrou-se na \u00c1frica Ocidental. E visit\u00e1mos v\u00e1rios Parques Naturais em todas essas viagens. E foi por isso que comecei a interessar-me pela conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade em geral, pela ideia de parques e \u00e1reas protegidas, foi atrav\u00e9s dessas viagens, ao visitar esses Parques Naturais.<\/p>\n<p>Aprendi sobre a no\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, mas tamb\u00e9m compreendi o qu\u00e3o central era a forma como as comunidades locais cuidavam efetivamente dessa terra e a sua profunda liga\u00e7\u00e3o \u00e0 vida selvagem, atrav\u00e9s das muitas viagens que fiz. O modo como trabalhavam a terra, como cuidavam da terra, as formas como tamb\u00e9m eram capazes, por exemplo, ou como tinham um conhecimento profundo da vida selvagem, utilizando as suas pr\u00f3prias l\u00ednguas para descrever o movimento da vida selvagem, mas tamb\u00e9m como eram capazes de prever padr\u00f5es sazonais com base na vida selvagem que observavam \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Foram anos transformadores para mim, durante os quais me comecei a interessar pela conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelo desenvolvimento. N\u00e3o era apenas a conserva\u00e7\u00e3o da vida selvagem que me interessava, mas tamb\u00e9m o desenvolvimento rural, tendo testemunhado alguns dos problemas, dos problemas socioecon\u00f3micos, que algumas destas comunidades enfrentavam ou a que estavam sujeitas.<\/p>\n<p>Quando entrei para a faculdade, estava muito interessada em compreender como \u00e9 que a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, ou a preserva\u00e7\u00e3o dos nossos recursos naturais, pode tamb\u00e9m funcionar como catalisador do desenvolvimento rural ou do desenvolvimento de algumas dessas comunidades. Foi ent\u00e3o que me especializei em Economia Ambiental na faculdade e percebi que os modelos econ\u00f3micos n\u00e3o captavam bem o que eu tinha vivido ou testemunhado durante essas viagens. Por isso, passei para o estudo do ecoturismo e do turismo baseado na natureza, por exemplo. Porque, mais uma vez, na minha mente as \u00e1reas protegidas destacavam-se como um modelo de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Esta foi, portanto, a viagem que empreendi, ao dedicar-me aos Parques e \u00c1reas Protegidas, que considerava serem pe\u00e7as centrais para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, mas tamb\u00e9m para o desenvolvimento rural. Era esse o paradigma que eu tinha adotado.<\/p>\n<p>S\u00f3 ao investigar e escrever a minha disserta\u00e7\u00e3o no Senegal, ou mesmo antes disso, \u00e9 que observei, por exemplo, conflitos entre agricultores. Nunca me esquecerei de uma vez, quando vivia no Gana, em que o jornal noticiou que os agricultores estavam a amea\u00e7ar queimar o Parque Natural. E isso foi realmente um acontecimento que me despertou para tentar perceber o que levaria estes agricultores a quererem queimar o Parque Natural, a quererem queimar a floresta que rodeava o Parque Natural. O que \u00e9 que provocaria esta avers\u00e3o ao Parque Natural? S\u00e3o estas as pessoas que cuidaram da terra, e agora h\u00e1 uma completa reviravolta, e querem queim\u00e1-la. E foi a\u00ed que me comecei a ocupar desta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>E apercebi-me assim do conflito que existia entre o modelo ocidental de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, que foi imposto no continente africano, e os modelos africanos ou focados em \u00c1frica de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. S\u00e3o dois modelos muito divergentes, e foi a\u00ed que comecei realmente a explorar esses dois paradigmas, para perceber as origens deste conflito.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">O Quadro Global para a Biodiversidade p\u00f3s-2020, conhecido como 30&#215;30, tem como objetivo reservar 30% da cobertura terrestre para conserva\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030. Quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es desta iniciativa para as comunidades Ind\u00edgenas, e o que est\u00e1 em jogo sob o pretexto da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Em termos muito simples, o plano para expandir, ou na verdade duplicar, a extens\u00e3o das \u00e1reas protegidas at\u00e9 2030 ter\u00e1 como resultado a desapropria\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a quest\u00e3o fundamental que enfrentamos. V\u00e3o haver desloca\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7\u00e1mos a ver isso no ano passado, por exemplo, com a comunidade Maasai, que foi amea\u00e7ada e que est\u00e1 atualmente a enfrentar uma expuls\u00e3o maci\u00e7a. Estamos a falar, creio, de cerca de 70 a 80.000 indiv\u00edduos Maasai, na \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o de Loliondo e Ngorongoro. E o mundo p\u00f4de testemunhar a viol\u00eancia da conserva\u00e7\u00e3o nesse momento.<\/p>\n<p>Mas os Maasai n\u00e3o s\u00e3o um caso \u00fanico. Ou melhor, s\u00e3o um caso cl\u00e1ssico, mas n\u00e3o s\u00e3o um caso \u00fanico. Por todo o continente, h\u00e1, em particular, comunidades pastoralistas que est\u00e3o a ser v\u00edtimas de uma sedentariza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, mas que tamb\u00e9m est\u00e3o a perder \u00e1reas de pastagem nas suas terras ancestrais, em nome da conserva\u00e7\u00e3o. Os pescadores tamb\u00e9m est\u00e3o a perder zonas de pesca em nome da conserva\u00e7\u00e3o, assim como os agricultores e os ca\u00e7adores. Estes s\u00e3o africanos que t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o profunda a estas terras, e cuja subsist\u00eancia est\u00e1 a ser amea\u00e7ada neste momento em nome da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 muito alarmante para mim \u00e9 o ritmo a que isto est\u00e1 a ser implementado. Se pensarmos no primeiro Parque Natural ou \u00e1rea protegida, foi o Parque Natural de Yellowstone, que foi fundado em 1872, no territ\u00f3rio colonizado a que hoje chamamos Estados Unidos, quando comunidades Ind\u00edgenas foram removidas \u00e0 for\u00e7a para estabelecer \u00e1reas protegidas. Isso deu origem a uma vaga de \u00e1reas protegidas em grande parte do mundo colonial, que levou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o das comunidades. Calcula-se que cerca de 110 milh\u00f5es de pessoas, Ind\u00edgenas, tenham sido deslocadas, comunidades locais Ind\u00edgenas e nativas, como resultado da cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas. Mas isso aconteceu ao longo de 150 anos. Agora imaginemos o que significa duplicar esse n\u00famero em 10 anos.<\/p>\n<p>E a escala, o ritmo a que a desapropria\u00e7\u00e3o vai acontecer \u00e9 muito preocupante. E j\u00e1 est\u00e1 a levar a viola\u00e7\u00f5es dos direitos Ind\u00edgenas. J\u00e1 est\u00e1 a resultar at\u00e9 em assassinatos de Ind\u00edgenas, de activistas Ind\u00edgenas e ambientais. A Global Witness divulgou que, em 2020, foram assassinados cerca de 200 activistas ambientais Ind\u00edgenas do Sul global. E todos estes assassinatos est\u00e3o relacionados com activistas que lutavam pelo direito a manter as suas terras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Muitos projectos de conserva\u00e7\u00e3o afirmam ser centrados na comunidade, incorporando planos de educa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de participa\u00e7\u00e3o da comunidade. No entanto, tem vindo a discutir as implica\u00e7\u00f5es da Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade, e o seu impacto na autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos Ind\u00edgenas. Pode desenvolver um pouco este tema e dar-nos alguns exemplos?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Para compreender realmente a Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade, todo o contexto em torno deste tema, \u00e9 importante situ\u00e1-lo historicamente, e identificar os principais factores que levaram ao seu aparecimento. E quando digo Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade, \u00e9 o mesmo que Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade ou Conserva\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria, como tamb\u00e9m \u00e9 apelidada. Portanto, existem diferentes itera\u00e7\u00f5es, mas basicamente a Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade ou a Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade, a que chamarei CBC daqui para a frente, d\u00e1 \u00e0 comunidade local espa\u00e7o para gerir os projectos de conserva\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 diferentes formas de o fazer. N\u00e3o s\u00f3 envolve formas de gerir projectos de conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de beneficiar economicamente dos projectos de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os projectos CBC come\u00e7aram a surgir efetivamente devido a dois factores globais. Em primeiro lugar, formulou-se como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 chamada Conserva\u00e7\u00e3o-fortaleza. Ao facto de a Conserva\u00e7\u00e3o-fortaleza conduzir a um agravar do empobrecimento. A Conserva\u00e7\u00e3o-fortaleza constitui uma expropria\u00e7\u00e3o, um desapossar das comunidades locais, mas tamb\u00e9m corta os la\u00e7os das comunidades com os seus territ\u00f3rios ancestrais. E gera ainda rea\u00e7\u00f5es adversas por parte das comunidades locais, como tentei ilustrar com o epis\u00f3dio dos agricultores que amea\u00e7aram queimar o Parque Natural. Tornou-se, portanto, muito contraproducente. Mas pesou tamb\u00e9m muito a resist\u00eancia Ind\u00edgena contra a Conserva\u00e7\u00e3o-fortaleza, durante os anos 70, 80, etc. Foi assim que se deu um impulso no sentido da Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade ou da Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade.<\/p>\n<p>Mas um segundo fator prendeu-se com a constata\u00e7\u00e3o de que as comunidades Ind\u00edgenas tamb\u00e9m desempenham um papel crucial, ou devo mesmo dizer fundamental, na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Atrav\u00e9s das suas pr\u00e1ticas de subsist\u00eancia, mas tamb\u00e9m da sua espiritualidade. Estamos finalmente a reconhecer que as comunidades Ind\u00edgenas s\u00e3o a raz\u00e3o pela qual estas paisagens foram t\u00e3o bem preservadas, atrav\u00e9s dos costumes pr\u00f3prios destas comunidades, dos seus sistemas Ind\u00edgenas de gest\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p>Foi a partir da\u00a0Cimeira das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Ambiente, no Rio de Janeiro, em 1992, que se deu um maior espa\u00e7o \u00e0s comunidades ind\u00edgenas no discurso em torno conserva\u00e7\u00e3o. Foi tendo como pano de fundo essa declara\u00e7\u00e3o, a Declara\u00e7\u00e3o da ONU de 1992, que as CBC come\u00e7aram a proliferar em \u00c1frica. E n\u00e3o apenas em \u00c1frica, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>E o que aconteceu frequentemente foi haverem algumas reformas institucionais na governa\u00e7\u00e3o das \u00c1reas Protegidas, na governa\u00e7\u00e3o dos Parques Naturais, que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es de base comunit\u00e1ria, a n\u00edvel local. Organiza\u00e7\u00f5es essas que ficaram encarregues de representar os interesses da comunidade, no processo de tomada de decis\u00f5es sobre o modo de gest\u00e3o desses recursos. Este \u00e9 o aspeto institucional. O segundo aspeto era que os projectos de conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os governos, deviam trabalhar em conjunto para criar actividades econ\u00f3micas que beneficiassem as comunidades locais. Foi nesta altura que o turismo se tornou fundamental e come\u00e7ou realmente a ganhar terreno na \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o. Come\u00e7aram a surgir projectos de turismo de base comunit\u00e1ria em torno dos Parques Naturais, que afirmavam: &#8220;Este projeto de Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade beneficia as comunidades locais e protege simultaneamente a vida selvagem.&#8221;<\/p>\n<p>Tudo o que descrevi at\u00e9 agora est\u00e1 relacionado com benef\u00edcios econ\u00f3micos e com reformas institucionais. Uma coisa que estava completamente ausente do discurso era a autodetermina\u00e7\u00e3o das comunidades Ind\u00edgenas. As comunidades Ind\u00edgenas foram muito claras desde o in\u00edcio relativamente \u00e0 centralidade da autodetermina\u00e7\u00e3o, do direito de poderem beneficiar desses projectos de conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de poderem determinar quais as actividades que escolhiam desenvolver nessas terras. Mas o que a Gest\u00e3o dos Recursos Naturais centrada na Comunidade faz \u00e9: &#8220;Claro, o que vamos fazer \u00e9 criar uma institui\u00e7\u00e3o para representar a comunidade, para ser a sua voz. Mas vamos, ainda assim, dizer-vos que tipo de actividades podem desenvolver nessas terras.&#8221; Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 autodetermina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 soberania.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que embora a Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade tenha sido um progresso no sentido de incluir vozes Ind\u00edgenas nestes espa\u00e7os, n\u00e3o respondeu na verdade \u00e0s exig\u00eancias das comunidades Ind\u00edgenas em termos de soberania e autodetermina\u00e7\u00e3o. \u00c0s suas lutas para recuperarem territ\u00f3rios e exercerem os seus direitos tradicionais. Direitos de nascen\u00e7a para exercerem os seus sistemas tradicionais de gest\u00e3o de recursos, que de facto preservaram as terras. A Conserva\u00e7\u00e3o Centrada na Comunidade, e os supostos benef\u00edcios que dela adv\u00eam, foi imposta pelas ag\u00eancias internacionais de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Num dos seus artigos escreve que as imagens sensacionalistas podem n\u00e3o dar uma perspectiva correcta sobre a usurpa\u00e7\u00e3o de terras e a conserva\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o as melhores formas e plataformas para fazer avan\u00e7ar o discurso sobre a descoloniza\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o? E que ac\u00e7\u00f5es podemos tomar para contribuir para este movimento?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>No meu artigo no The Republic, que \u00e9 publicado no The Republic, &#8220;Against Wildlife Republics&#8221;, e o The Republic \u00e9 uma revista pan-africana que tem sede na Nig\u00e9ria, falo do perigo de ver o caso dos Maasai&#8230; Ou n\u00e3o, n\u00e3o devia dizer o perigo. \u00c9 muito real, a viol\u00eancia contra os Maasai \u00e9 real, \u00e9 errada. E por isso mereceu ser exposta, sem d\u00favida. O que eu tentei explicar \u00e9 que isso poderia, no entanto, levar \u00e0 perce\u00e7\u00e3o errada de que a viol\u00eancia tinha de ser sensacionalista e direta, para levar \u00e0s mesmas consequ\u00eancias e desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os militares apareceram, como vimos no caso dos Maasai, e come\u00e7aram a desaloj\u00e1-los \u00e0 for\u00e7a. Isso foi, na verdade, um \u00faltimo recurso. Foi o \u00faltimo recurso, porque a comunidade Maasai resistiu durante muito, muito tempo. O que eu tentei explicar \u00e9 que tamb\u00e9m temos de prestar aten\u00e7\u00e3o aos casos em que os despejos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o violentos como os que vimos no caso dos Maasai.<\/p>\n<p>O que normalmente acontece \u00e9 que as leis ambientais s\u00e3o reescritas ao longo do tempo. H\u00e1 diferentes formas de o fazer. Ou se reescrevem as leis ambientais de modo a poder despejar, a poder despejar \u00e0 for\u00e7a. Ou o que eu apelido de consentimento fabricado, que \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o dessas comunidades sancionada pelo Estado. O que o Estado pode fazer \u00e9 retirar servi\u00e7os p\u00fablicos, como escolas, hospitais ou acesso \u00e0 \u00e1gua, por exemplo. Cria condi\u00e7\u00f5es de empobrecimento, para que o desalojamento seja mais facilmente aceite pelas comunidades. Basicamente, est\u00e1-se a fabricar o consentimento. E depois rotulam-no de &#8220;desloca\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria&#8221;. E \u00e9 isso que acontece em muitos casos, tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Estou a v\u00ea-lo, por exemplo, na regi\u00e3o de Casamance, no Senegal, onde tamb\u00e9m se fala de projectos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono &#8211; que \u00e9 uma forma diferente de conserva\u00e7\u00e3o, mas enraizada nas mesmas pr\u00e1ticas predat\u00f3rias &#8211; onde as pessoas est\u00e3o a ceder a projectos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono porque \u00e9 a \u00fanica alternativa que t\u00eam. Estas comunidades s\u00e3o extremamente pobres. As escolas est\u00e3o em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, os hospitais est\u00e3o em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. E quando temos uma entidade privada, como a Shell, por exemplo, a Shell Oil, ou a BP, que chega e diz: &#8220;Queremos um projeto de compensa\u00e7\u00e3o de carbono convosco, ou um projeto de compensa\u00e7\u00e3o de biodiversidade convosco. Damos-vos este montante&#8221;, n\u00e3o t\u00eam outra alternativa sen\u00e3o dizer: &#8220;Bem, n\u00f3s aceitamos o projeto&#8221;. Mesmo que pare\u00e7a muito nebuloso, n\u00e3o t\u00eam outra escolha, porque \u00e9 a melhor alternativa. Mesmo que n\u00e3o seja uma boa alternativa, \u00e9 a melhor poss\u00edvel. E \u00e9 isso que acontece frequentemente em muitos destes casos.<\/p>\n<p>E o que eu estava a tentar explicar ao usar o termo &#8220;sensacionalismo&#8221; \u00e9 que a viol\u00eancia n\u00e3o tem de ser sensacionalista para produzir os mesmos resultados violentos ao longo do tempo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o frequentemente negligenciada entre as \u00c1reas Protegidas \u2028e os projectos extractivos globais. Pode ajudar-nos a compreender esta liga\u00e7\u00e3o \u2028e a sua falta de transpar\u00eancia?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Algo que \u00e9 frequentemente ignorado \u00e9 a forma como as \u00c1reas Protegidas se tornaram, de facto, locais de extra\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio, a narrativa era que as \u00c1reas Protegidas s\u00e3o\u2026 As \u00c1reas Protegidas s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para a extra\u00e7\u00e3o, ou o oposto da extra\u00e7\u00e3o. Identificamos essa \u00e1rea, colocamo-la de lado e n\u00e3o h\u00e1 extra\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 um mito, na verdade, porque a extra\u00e7\u00e3o continua a ocorrer nas \u00c1reas Protegidas.<\/p>\n<p>Passa-se o contr\u00e1rio. A conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a conserva\u00e7\u00e3o da vida selvagem, s\u00e3o apenas pretextos para continuar a extra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma dissimula\u00e7\u00e3o para poder desapropriar as comunidades locais, sem qualquer escrut\u00ednio p\u00fablico. Porque, na verdade, quem quer lutar contra a ideia de proteger a natureza? Assume-se assim uma posi\u00e7\u00e3o de superioridade moral, que constr\u00f3i uma aceita\u00e7\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o das comunidades locais. Mas posteriormente, 5, 10, 20 anos mais tarde, s\u00e3o dadas concess\u00f5es privadas a ind\u00fastrias extractivas, para poderem extrair nessas terras.<\/p>\n<p>Falo de extra\u00e7\u00e3o, que tipo de extra\u00e7\u00e3o? H\u00e1 explora\u00e7\u00e3o madeireira em \u00c1reas Protegidas, h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o mineira. A Rainforest Foundation, atrav\u00e9s do projeto &#8220;Mapping for Rights&#8221;, est\u00e1 a mapear neste momento todas as concess\u00f5es privadas que foram dadas a ind\u00fastrias extractivas neste tipo de \u00e1reas, na \u00c1frica Central. Encorajo toda a gente, os vossos ouvintes, a explorarem este trabalho. \u00c9 o projeto &#8220;Mapping for Rights&#8221; da Rainforest Foundation. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a\u00ed, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na \u00c1frica Central. Dou o exemplo do Senegal, onde h\u00e1 muita explora\u00e7\u00e3o mineira a acontecer tamb\u00e9m em Niokolo-Koba, pela Petowal Mining Industry, dentro do Parque Natural de Niokolo-Koba.<\/p>\n<p>H\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o mineira, h\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o madeireira, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a desclassifica\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Protegidas, ou parte delas, para as poder ceder a empresas agro-industriais. Decorre atualmente uma batalha na Reserva de Ndiael, no norte do Senegal, onde o governo desclassificou, em 2018, cerca de 2000 hectares de terra, nessa \u00e1rea, para a dar a uma empresa agroindustrial (penso que \u00e9 uma empresa agroindustrial italiana, a Senhuile), para que esta possa desenvolver uma planta\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea, para que possa cultivar nessa \u00c1rea Protegida, quando ainda existem reivindica\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rio em curso, por parte da comunidade local, que procura recuperar esse territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>As \u00c1reas Protegidas tornaram-se, na verdade, uma desculpa para desapropriar as comunidades locais e coloc\u00e1-las sob os ausp\u00edcios da ind\u00fastria extractiva, mas tamb\u00e9m sob os ausp\u00edcios de todos estes governos africanos que, mais tarde, ir\u00e3o vender essas terras ao maior licitador. E \u00e9 isso que est\u00e1 a acontecer tamb\u00e9m com os mercados de compensa\u00e7\u00e3o de carbono ou de biodiversidade. Os investidores nos projectos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono s\u00e3o as ind\u00fastrias extractivas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Como \u00e9 que as \u00c1reas Protegidas est\u00e3o a ser integradas nos mercados globais de carbono? \u2028E quais s\u00e3o os resultados efectivos, no que toca \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, da desfloresta\u00e7\u00e3o, da perda de biodiversidade e da polui\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A compensa\u00e7\u00e3o de carbono \u00e9 basicamente um projeto extrativo global. H\u00e1 projetos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono, mas tamb\u00e9m de biodiversidade. Em termos simples, legitimam a pilhagem da natureza. \u00c9 isso mesmo. Legitimam a destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do planeta. A ideia \u00e9: &#8220;Podem poluir aqui, podem extrair aqui, desde que v\u00e3o aqui e protejam esta terra, ou plantem tantas florestas, ou tantas \u00e1rvores. E isso compensar\u00e1 qualquer destrui\u00e7\u00e3o que tenham causado deste lado&#8221;. E quem \u00e9 que investe mais nisto? Obviamente, s\u00e3o os projectos extractivos.<\/p>\n<p>Neste momento, no Senegal, a Shell, a BP, a Petowal est\u00e3o todas empenhadas em investir em projectos de carbono no Sul do Senegal, nos mangais, com o entendimento de que podem extrair g\u00e1s, que conseguir\u00e3o desregulamentar ainda mais essa pr\u00e1tica. Isso tamb\u00e9m lhes d\u00e1 luz verde para poderem adotar pr\u00e1ticas ecologicamente destrutivas. Assim, s\u00f3 se acelera, n\u00e3o se resolve a quest\u00e3o, porque n\u00e3o se est\u00e1 a parar a destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Pelo contr\u00e1rio, est\u00e1-se a legitim\u00e1-la, ao troc\u00e1-la pelo salvamento posterior de florestas deste lado.<\/p>\n<p>Mas mesmo os modelos econ\u00f3micos que est\u00e3o a ser utilizados na compensa\u00e7\u00e3o de carbono, a ci\u00eancia que est\u00e3o a utilizar para mostrar que essas florestas est\u00e3o a compensar as emiss\u00f5es de carbono, \u00e9 completamente falsa, foi completamente invalidada. Nenhuma quantidade de compensa\u00e7\u00e3o vai ser capaz de fazer face aos n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 a em curso. Este \u00e9 o primeiro ponto.<\/p>\n<p>Mas, em segundo lugar, atrav\u00e9s destes projetos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono ou destes projetos de compensa\u00e7\u00e3o de biodiversidade, est\u00e1-se a usurpar, est\u00e1-se efetivamente a remover as pr\u00f3prias pessoas que durante s\u00e9culos protegeram esses territ\u00f3rios. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os territ\u00f3rios que agora s\u00e3o sinalizados para se tornarem \u00c1reas Protegidas sejam precisamente aqueles que t\u00eam estado sob o cuidado dos povos Ind\u00edgenas. \u00c9 precisamente porque as comunidades cuidaram desses territ\u00f3rios, que neles se verificam os maiores \u00edndices de biodiversidade. Est\u00e1-se a criar, ou a resolver, um problema que, \u00e0 partida, n\u00e3o existe. Estas pessoas t\u00eam estado a proteger estas \u00e1reas, porque \u00e9 que o plano \u00e9 retir\u00e1-las de l\u00e1?<\/p>\n<p>E tudo isto sob o pretexto da conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m tudo isto para continuar a ceder terra para compensa\u00e7\u00f5es de carbono, para que o Norte global, ou todos estes projectos extractivos, possam continuar a pilhar a natureza noutros locais. Isto n\u00e3o resolve problema nenhum. Pode at\u00e9 acelerar ainda mais a desfloresta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m acelera a polui\u00e7\u00e3o e continua a viol\u00eancia contra as comunidades Ind\u00edgenas. Portanto, a melhor maneira de proteger estas terras \u00e9 lutar afincadamente pela soberania Ind\u00edgena. Isso \u00e9 \u00f3bvio e simples. N\u00e3o h\u00e1 outra forma. Se os projectos de conserva\u00e7\u00e3o ou os projectos ambientais n\u00e3o se centrarem na quest\u00e3o da soberania Ind\u00edgena, ent\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o a trabalhar no sentido da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Diria que existem grupos robustos de investigadores a trabalhar no sentido \u2028de descolonizar a conserva\u00e7\u00e3o? Ou \u00e9 ainda um caminho bastante solit\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">ABY S\u00c8NE-HARPER<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Eu diria que \u00e9 uma \u00e1rea em crescimento. Diria o seguinte: na Conserva\u00e7\u00e3o, na Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza em si, continua a ser um caminho solit\u00e1rio. Mas h\u00e1 outros investigadores, fora da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, que est\u00e3o investidos em compreender o qu\u00e3o colonial \u00e9 ainda a Conserva\u00e7\u00e3o. Eu tive de procurar fora das disciplinas de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza para conseguir encontrar essa rede. Mas no nosso campo, na Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, na Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, a ades\u00e3o ainda \u00e9 fraca, de certa forma.<\/p>\n<p>No entanto, o n\u00famero de investigadores que me contactaram recentemente, muitos deles jovens estudantes de doutoramento que me contactaram depois de lerem o meu trabalho, tem sido muito, muito encorajador. Mas, no meio acad\u00e9mico, este ainda \u00e9 um caminho solit\u00e1rio. Mas outras funda\u00e7\u00f5es, como a vossa, por exemplo, fora do meio acad\u00e9mico, penso que foi a\u00ed que encontrei as parecerias mais gratificantes at\u00e9 agora. Nesse meio, centrado na descoloniza\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%27http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%27%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20viewBox%3D%270%200%201920%20200%27%3E%3Crect%20width%3D%271920%27%20height%3D%27200%27%20fill-opacity%3D%220%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" data-orig-src=\"https:\/\/azimuthworldfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/CtD_AbySene_Graphics_ChapterWebsiteArticle_v3.001.jpeg\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block \" data-type=\"text\">\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><span style=\"color: #e44a4a;\" data-redactor-tag=\"span\" data-verified=\"redactor\" data-redactor-style=\"color: #E44A4A\">MARIANA MARQUES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Como descreveria um futuro justo e descolonizado para a \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o? \u2028Diria que garantir a soberania Ind\u00edgena \u00e9 um primeiro passo essencial nessa dire\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"vlp-link-container vlp-layout-azimuth-2\"><a href=\"https:\/\/republic.com.ng\/october-november-2022\/conservation-and-imperialist-expansion-in-africa\/\" class=\"vlp-link\" title=\"Against Wildlife Republics by Aby S\u00e8ne-Harper | The Republic\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\"><\/a><div class=\"vlp-layout-zone-side\"><div class=\"vlp-block-3 vlp-link-image\"><img class=\"lazyload\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" data-orig-src=\"https:\/\/republic.com.ng\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Sene_Banner.jpg\" style=\"max-width: 150px; 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