Me Hoprê Catejê

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Proteção territorial indígena de uma das maiores áreas contínuas de Cerrado no planeta, através de expedições de monitoramento comunitárias
SOBRE O ME HOPRÊ CATEJÊ
SOBRE O ME HOPRÊ CATEJÊ
Me Hoprê Catejê—”Os Guerreiros do Cerrado”—é um grupo de vigilância territorial formado por mulheres e homens do povo Krahô. O grupo opera com autonomia política e decisória, mas em permanente articulação com organismos públicos incluindo a FUNAI, o IBAMA e a Polícia Federal. A organização de base comunitária realiza o monitoramento e a proteção sistemática da Terra Indígena Krahô através de expedições tradicionais a pé a que chamam “andadas.”

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Os Krahô, que se autodenominam Mehĩ, são habitantes imemoriais do Cerrado—a vasta savana brasileira. O seu território demarcado, a Terra Indígena Krahô, abrange aproximadamente 303.000 hectares no norte do Estado do Tocantins, representando uma das maiores áreas contínuas de Cerrado preservado do planeta. A população é de cerca de 4.500 habitantes, que vivem em 42 aldeias circulares, cada uma centrada num pátio comunitário, onde se desenrola a vida quotidiana.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O Cerrado, frequentemente chamado de “berço das águas”, é onde nascem as grandes bacias hidrográficas brasileiras, incluindo a bacia Amazônica e a bacia do Rio São Francisco. Apesar da sua importância ecológica enquanto hotspot global de biodiversidade, menos de 50% do bioma original permanece preservado. Os Krahô mantiveram o seu território de forma notável—as suas águas limpas, as suas práticas tradicionais de caça e agricultura intactas—enquanto as operações de agronegócio vizinhas transformaram a paisagem circundante em fazendas de gado e plantações de monoculturas.
Junto às fronteiras do território Krahô, as pressões provocadas por esta expansão são evidentes: invasão ilegal de gado, desmatamento, contaminação da água por agrotóxicos e resíduos agrícolas, roubo de espécies de madeira valiosas como aroeira, jatobá e ipê, tráfico de espécies selvagens—particularmente de araras, cujas populações diminuíram substancialmente—e queimadas intencionais para criar novas áreas de pastagem. É preciso não esquecer que estas ameaças se seguem a uma história de violência: a própria demarcação territorial só aconteceu após o massacre que vitimou vários membros da comunidade, assassinados por fazendeiros da região.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Origens e desenvolvimento
Os Krahô começaram a trabalhar na proteção territorial de forma organizada em 2012, com o estabelecimento de uma guarita na entrada principal da Terra Indígena. Durante a pandemia de COVID-19, esta guarita foi fundamental na desinfecção de todos os veículos e produtos que entravam na área indígena, o que atrasou significativamente a chegada do vírus às aldeias Krahô. Quando terminaram os apoios da época da pandemia, o trabalho na guarita tornou-se intermitente, mas o compromisso dos guerreiros e guerreiras com a proteção territorial nunca esmoreceu.
Em setembro de 2024, o grupo organizou uma grande expedição de dez dias no quadrante sul do território, documentando vários problemas. Havia, por exemplo, um fazendeiro que se recusava a retirar o seu gado da Terra Indígena, e que já tinha plantado vários hectares de braquiária, uma planta altamente invasora, que põe em causa o equilíbrio ecológico no Cerrado, sufocando as plantas nativas. Esta experiência confirmou a necessidade de formalizar as atividades de monitoramento e de procurar parcerias para além dos organismos governamentais, cujo apoio imprevisível depende sempre da situação política.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O grupo conta agora com 20 agentes ambientais Krahô, oriundos de diferentes aldeias do território. As suas atividades seguem os conhecimentos tradicionais e o calendário sazonal Krahô, dividindo o território em quatro quadrantes—Oeste, Leste, Norte e Sul—que são monitorizados de acordo com os padrões climáticos e as práticas tradicionais de gestão de recursos. Durante os meses da estação seca, percorrem as regiões orientais com extensas fronteiras de “linha seca” vulneráveis a invasões; durante a estação das chuvas, realizam expedições fluviais ao longo das fronteiras fluviais do norte.
A NOSSA PARCERIA
A NOSSA PARCERIA
Andar para Proteger: Apoio à Patrulha Indígena Krahô
A nossa parceria com o Me Hoprê Catejê começou em 2025, como resposta à necessidade de reforçar os apoios a este projeto de proteção do territorial assente em métodos e sistemas de conhecimento da própria comunidade. Os Krahô desenvolveram a sua abordagem de monitoramento com base numa ideia central: a forma mais eficaz de perceber o que está a acontecer no seu território é caminhando. Apesar das enormes distâncias envolvidas, é com os pés na terra que conseguem perceber onde estão as maiores ameaças—não apenas às suas vidas, mas à vida do próprio Cerrado.
Os Krahô são capazes de identificar cada rio do território, cada árvore. Rastos de animais, ou os sinais mais subtis da presença de invasores. Conseguem saber que uma espécie de ave tem sido roubada, quando deixam de ouvir o seu canto. A sua abordagem não procura o conflito, tentando em primeiro lugar dialogar com os invasores sobre o respeito pelos limites territoriais. Ao mesmo tempo, coordenam com os organismos federais as intervenção formais, sempre que estas se tornam necessárias.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O apoio da Azimuth World Foundation complementa os recursos mobilizados pela FUNAI. Apesar de a agência governamental garantir parte da logística necessária, não chega para todo o combustível e alimentação necessários, e não inclui o financiamento de equipamento técnico essencial para um monitoramento eficaz. Com o apoio externo da Azimuth, torna-se possível a aquisição de equipamento crucial como drones, rádios de longo alcance para comunicação durante as expedições, dispositivos GPS e o aluguer de veículos adicionais que aumentam significativamente a capacidade operacional do grupo. Construir alguma independência face aos recursos governamentais é extremamente importante, pois confere tempo, recursos e segurança face a mudanças institucionais.
A parceria funciona em coordenação com a AmazoniAlerta, uma organização brasileira que fornece acompanhamento técnico e que dá seguimento jurídico às violações documentadas. Esta é a primeira parceria da AmazoniAlerta com um grupo indígena de monitoramento territorial fora da região amazônica. Um reconhecimento da importância de proteger o Cerrado, cujas águas alimentam a Amazônia, ou seja, de uma abordagem à defesa territorial que integre os vários biomas.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Fomentar a Coesão Comunitária Através das Andadas
O impacto das expedições de monitoramento tem ido muito para além da proteção territorial. Cada andada reúne guerreiros e guerreiras de diferentes aldeias e, à medida que visitam comunidades ao longo das suas rotas, fortalecem as ligações em todo o território. Estes encontros tornaram-se essenciais para discutir desafios contemporâneos, incluindo a preservação da cultura e da língua tradicionais entre os mais jovens.
Em cada andada, o grupo procura incluir três a quatro membros das aldeias visitadas, o que gera um sentimento profundo de pertença coletiva. O projeto é de todo o povo Krahô, e não apenas de uma organização. Este é um dos aspetos mais importantes de garantir recursos adicionais para o projeto, e mostra como é importante ir além dos apoios mais rígidos fornecidos pelos organismos governamentais.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
A presença regular dos guerreiros em diferentes regiões funciona como um dissuasor eficaz contra invasões, reafirmando a presença ativa dos Krahô no seu território. Durante as andadas, o grupo descobriu e reposicionou marcos fronteiriços da FUNAI que tinham sido movidos por invasores com o objetivo de se apropriarem ilegalmente de áreas dentro do território. O grupo também identificou e denunciou atividades ilegais nos limites do território, incluindo a construção não autorizada de lagos artificiais para operações pecuárias.
A nossa parceria continua em 2026, ano em que se vão realizar mais expedições de monitoramento, mais atividades de capacitação, e onde vai ser aprofundado o trabalho de documentação e resposta às ameaças territoriais.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
IMPACTO
IMPACTO
Desde que a parceria começou, os resultados das expedições de monitoramento ao nível da proteção territorial são muito concretos, e têm permitido fortalecer ainda mais o trabalho da organização:
Documentação e Resposta
As várias andadas cobriram os quatro quadrantes do território, e permitiram a documentação de várias ocorrências: invasões ilegais para a criação de gado; sinais de atividade de garimpo ilegal; contaminação das águas nos rios que ficam junto a fazendas; pistas que apontam para o tráfico ilegal de animais selvagens (como a ausência alarmante de araras); roubo de espécies de madeira valiosas e desmatamento não autorizado. Esta documentação vai ser a base das queixas formais, que o grupo vai apresentar com o apoio de organizações parceiras e de organismos governamentais.
Recuperação de Marcos Fronteiriços
O grupo descobriu marcos territoriais da FUNAI que tinham sido propositadamente deslocados, e reposicionou-os, contrariando as estratégias de apropriação gradual de terras no interior do território.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Dissuasão Através da Presença
Expedições regulares de monitoramento em todos os setores territoriais demonstram uma presença indígena ativa, dissuadindo potenciais invasores, que de outra forma poderiam aproveitar-se do isolamento do território.
Equipamento e Capacitação
O uso de drones, de equipamentos de comunicação e de veículos adicionais tornou o monitoramento muito mais eficaz. As sessões de capacitação foram recebidas com enorme entusiasmo pelos participantes, e contribuíram para melhorara os protocolos de documentação.
Fortalecimento da Relação entre as Aldeias
As expedições trouxeram nova força às ligações entre as aldeias, criando espaços de diálogo comunitário sobre questões urgentes e reforçando o sentimento de que a proteção territorial é uma responsabilidade coletiva de todo o povo Krahô.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Resiliência Institucional
Recursos independentes permitiram ao grupo manter a continuidade do projeto, mesmo perante transições nos organismos governamentais.
Monitoramento Ambiental
O trabalho detalhado de observação durante as andadas tem permitido documentar mudanças ecológicas preocupantes: o declínio dramático das populações de araras, a redução das espécies de peixes, a contaminação de rios anteriormente limpos, onde já não se pode beber água ou tomar banho, e a substituição de plantas nativas por espécies invasoras, ou de madeira valiosa por vegetação secundária.
O monitoramento também acaba por abordar desafios internos complexos e que requerem a atenção de toda a comunidade, como situações de arrendamento ilegal de terras. As andadas criaram oportunidades para discutir assuntos difíceis, com o apoio das lideranças tradicionais e segundo modos de tomada de decisão coletivos.
ATUALIZAÇÕES
ATUALIZAÇÕES
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Crédito: Me Hoprê Catejê
Proteção territorial indígena de uma das maiores áreas contínuas de Cerrado no planeta, através de expedições de monitoramento comunitárias
SOBRE O ME HOPRÊ CATEJÊ
SOBRE O ME HOPRÊ CATEJÊ
Me Hoprê Catejê—”Os Guerreiros do Cerrado”—é um grupo de vigilância territorial formado por mulheres e homens do povo Krahô. O grupo opera com autonomia política e decisória, mas em permanente articulação com organismos públicos incluindo a FUNAI, o IBAMA e a Polícia Federal. A organização de base comunitária realiza o monitoramento e a proteção sistemática da Terra Indígena Krahô através de expedições tradicionais a pé a que chamam “andadas.”

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Os Krahô, que se autodenominam Mehĩ, são habitantes imemoriais do Cerrado—a vasta savana brasileira. O seu território demarcado, a Terra Indígena Krahô, abrange aproximadamente 303.000 hectares no norte do Estado do Tocantins, representando uma das maiores áreas contínuas de Cerrado preservado do planeta. A população é de cerca de 4.500 habitantes, que vivem em 42 aldeias circulares, cada uma centrada num pátio comunitário, onde se desenrola a vida quotidiana.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O Cerrado, frequentemente chamado de “berço das águas”, é onde nascem as grandes bacias hidrográficas brasileiras, incluindo a bacia Amazônica e a bacia do Rio São Francisco. Apesar da sua importância ecológica enquanto hotspot global de biodiversidade, menos de 50% do bioma original permanece preservado. Os Krahô mantiveram o seu território de forma notável—as suas águas limpas, as suas práticas tradicionais de caça e agricultura intactas—enquanto as operações de agronegócio vizinhas transformaram a paisagem circundante em fazendas de gado e plantações de monoculturas.
Junto às fronteiras do território Krahô, as pressões provocadas por esta expansão são evidentes: invasão ilegal de gado, desmatamento, contaminação da água por agrotóxicos e resíduos agrícolas, roubo de espécies de madeira valiosas como aroeira, jatobá e ipê, tráfico de espécies selvagens—particularmente de araras, cujas populações diminuíram substancialmente—e queimadas intencionais para criar novas áreas de pastagem. É preciso não esquecer que estas ameaças se seguem a uma história de violência: a própria demarcação territorial só aconteceu após o massacre que vitimou vários membros da comunidade, assassinados por fazendeiros da região.

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Origens e desenvolvimento
Os Krahô começaram a trabalhar na proteção territorial de forma organizada em 2012, com o estabelecimento de uma guarita na entrada principal da Terra Indígena. Durante a pandemia de COVID-19, esta guarita foi fundamental na desinfecção de todos os veículos e produtos que entravam na área indígena, o que atrasou significativamente a chegada do vírus às aldeias Krahô. Quando terminaram os apoios da época da pandemia, o trabalho na guarita tornou-se intermitente, mas o compromisso dos guerreiros e guerreiras com a proteção territorial nunca esmoreceu.
Em setembro de 2024, o grupo organizou uma grande expedição de dez dias no quadrante sul do território, documentando vários problemas. Havia, por exemplo, um fazendeiro que se recusava a retirar o seu gado da Terra Indígena, e que já tinha plantado vários hectares de braquiária, uma planta altamente invasora, que põe em causa o equilíbrio ecológico no Cerrado, sufocando as plantas nativas. Esta experiência confirmou a necessidade de formalizar as atividades de monitoramento e de procurar parcerias para além dos organismos governamentais, cujo apoio imprevisível depende sempre da situação política.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O grupo conta agora com 20 agentes ambientais Krahô, oriundos de diferentes aldeias do território. As suas atividades seguem os conhecimentos tradicionais e o calendário sazonal Krahô, dividindo o território em quatro quadrantes—Oeste, Leste, Norte e Sul—que são monitorizados de acordo com os padrões climáticos e as práticas tradicionais de gestão de recursos. Durante os meses da estação seca, percorrem as regiões orientais com extensas fronteiras de “linha seca” vulneráveis a invasões; durante a estação das chuvas, realizam expedições fluviais ao longo das fronteiras fluviais do norte.
A NOSSA PARCERIA
A NOSSA PARCERIA
Andar para Proteger: Apoio à Patrulha Indígena Krahô
A nossa parceria com o Me Hoprê Catejê começou em 2025, como resposta à necessidade de reforçar os apoios a este projeto de proteção do territorial assente em métodos e sistemas de conhecimento da própria comunidade. Os Krahô desenvolveram a sua abordagem de monitoramento com base numa ideia central: a forma mais eficaz de perceber o que está a acontecer no seu território é caminhando. Apesar das enormes distâncias envolvidas, é com os pés na terra que conseguem perceber onde estão as maiores ameaças—não apenas às suas vidas, mas à vida do próprio Cerrado.
Os Krahô são capazes de identificar cada rio do território, cada árvore. Rastos de animais, ou os sinais mais subtis da presença de invasores. Conseguem saber que uma espécie de ave tem sido roubada, quando deixam de ouvir o seu canto. A sua abordagem não procura o conflito, tentando em primeiro lugar dialogar com os invasores sobre o respeito pelos limites territoriais. Ao mesmo tempo, coordenam com os organismos federais as intervenção formais, sempre que estas se tornam necessárias.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
O apoio da Azimuth World Foundation complementa os recursos mobilizados pela FUNAI. Apesar de a agência governamental garantir parte da logística necessária, não chega para todo o combustível e alimentação necessários, e não inclui o financiamento de equipamento técnico essencial para um monitoramento eficaz. Com o apoio externo da Azimuth, torna-se possível a aquisição de equipamento crucial como drones, rádios de longo alcance para comunicação durante as expedições, dispositivos GPS e o aluguer de veículos adicionais que aumentam significativamente a capacidade operacional do grupo. Construir alguma independência face aos recursos governamentais é extremamente importante, pois confere tempo, recursos e segurança face a mudanças institucionais.
A parceria funciona em coordenação com a AmazoniAlerta, uma organização brasileira que fornece acompanhamento técnico e que dá seguimento jurídico às violações documentadas. Esta é a primeira parceria da AmazoniAlerta com um grupo indígena de monitoramento territorial fora da região amazônica. Um reconhecimento da importância de proteger o Cerrado, cujas águas alimentam a Amazônia, ou seja, de uma abordagem à defesa territorial que integre os vários biomas.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Fomentar a Coesão Comunitária Através das Andadas
O impacto das expedições de monitoramento tem ido muito para além da proteção territorial. Cada andada reúne guerreiros e guerreiras de diferentes aldeias e, à medida que visitam comunidades ao longo das suas rotas, fortalecem as ligações em todo o território. Estes encontros tornaram-se essenciais para discutir desafios contemporâneos, incluindo a preservação da cultura e da língua tradicionais entre os mais jovens.
Em cada andada, o grupo procura incluir três a quatro membros das aldeias visitadas, o que gera um sentimento profundo de pertença coletiva. O projeto é de todo o povo Krahô, e não apenas de uma organização. Este é um dos aspetos mais importantes de garantir recursos adicionais para o projeto, e mostra como é importante ir além dos apoios mais rígidos fornecidos pelos organismos governamentais.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
A presença regular dos guerreiros em diferentes regiões funciona como um dissuasor eficaz contra invasões, reafirmando a presença ativa dos Krahô no seu território. Durante as andadas, o grupo descobriu e reposicionou marcos fronteiriços da FUNAI que tinham sido movidos por invasores com o objetivo de se apropriarem ilegalmente de áreas dentro do território. O grupo também identificou e denunciou atividades ilegais nos limites do território, incluindo a construção não autorizada de lagos artificiais para operações pecuárias.
A nossa parceria continua em 2026, ano em que se vão realizar mais expedições de monitoramento, mais atividades de capacitação, e onde vai ser aprofundado o trabalho de documentação e resposta às ameaças territoriais.

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Desde que a parceria começou, os resultados das expedições de monitoramento ao nível da proteção territorial são muito concretos, e têm permitido fortalecer ainda mais o trabalho da organização:
Documentação e Resposta
As várias andadas cobriram os quatro quadrantes do território, e permitiram a documentação de várias ocorrências: invasões ilegais para a criação de gado; sinais de atividade de garimpo ilegal; contaminação das águas nos rios que ficam junto a fazendas; pistas que apontam para o tráfico ilegal de animais selvagens (como a ausência alarmante de araras); roubo de espécies de madeira valiosas e desmatamento não autorizado. Esta documentação vai ser a base das queixas formais, que o grupo vai apresentar com o apoio de organizações parceiras e de organismos governamentais.
Recuperação de Marcos Fronteiriços
O grupo descobriu marcos territoriais da FUNAI que tinham sido propositadamente deslocados, e reposicionou-os, contrariando as estratégias de apropriação gradual de terras no interior do território.

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Crédito: Me Hoprê Catejê
Dissuasão Através da Presença
Expedições regulares de monitoramento em todos os setores territoriais demonstram uma presença indígena ativa, dissuadindo potenciais invasores, que de outra forma poderiam aproveitar-se do isolamento do território.
Equipamento e Capacitação
O uso de drones, de equipamentos de comunicação e de veículos adicionais tornou o monitoramento muito mais eficaz. As sessões de capacitação foram recebidas com enorme entusiasmo pelos participantes, e contribuíram para melhorara os protocolos de documentação.
Fortalecimento da Relação entre as Aldeias
As expedições trouxeram nova força às ligações entre as aldeias, criando espaços de diálogo comunitário sobre questões urgentes e reforçando o sentimento de que a proteção territorial é uma responsabilidade coletiva de todo o povo Krahô.

Screenshot 2026-02-04 at 13.52.56
Crédito: Me Hoprê Catejê
Resiliência Institucional
Recursos independentes permitiram ao grupo manter a continuidade do projeto, mesmo perante transições nos organismos governamentais.
Monitoramento Ambiental
O trabalho detalhado de observação durante as andadas tem permitido documentar mudanças ecológicas preocupantes: o declínio dramático das populações de araras, a redução das espécies de peixes, a contaminação de rios anteriormente limpos, onde já não se pode beber água ou tomar banho, e a substituição de plantas nativas por espécies invasoras, ou de madeira valiosa por vegetação secundária.
O monitoramento também acaba por abordar desafios internos complexos e que requerem a atenção de toda a comunidade, como situações de arrendamento ilegal de terras. As andadas criaram oportunidades para discutir assuntos difíceis, com o apoio das lideranças tradicionais e segundo modos de tomada de decisão coletivos.
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